Hoje, dia 7 de agosto, é o dia do aniversário de Haroldo Maranhão.
Queria homeangeá-lo aqui com um poema-poesia de Manoel Bandeira, mas não encontro o livro e só sei até a umas duas linhas antes do fim.
Então, prefiro escrever uma letra da qual ele retirou uma frase, para um dos seus livros mais recentes... um livro que ele dedica a a "todos os jovens e não jovens que pretendem ser escritores":
Língua
Caetano Veloso
Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luis de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixe os portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala Mangueira!
Fala!
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode
Essa língua?
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas
Vamos na velô da dicção choo choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E - xeque-mate - explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em Ã
De coisas como Rã e Imã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier
Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé e Maria da Fé e Arrigo Barnabé
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode
Essa língua?
Incrivel
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível
Filosofar em alemão
Se você tem uma idéia incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível
Filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo
Meu medo!
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria: tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
Será que ela está no Pão de Açúcar?
Tá craude brô você e tu lhe amo
Qué queu te faço, nego?
Bote ligeiro
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem
© Ed. Gapa
Apaixonei-me pelo escrito(r) de forma irremediável, quando li o seu primeiro livro: A Estranha Xícara. Guanabara, (hoje Rio de Janeiro). Editora Saga, (editora de prestígio, mas logo extinta), 1968.
Filho e neto de jornalistas, Haroldo que foi amigo-irmão de Mario Faustino, e ainda o é de Benedito Nunes (já, que - thanks goodness ambos estão vivos e bastante), era também amigo de Manoel Bandeira, seu poeta predileto e de Carlos Drummond de Andrade, de onde foi retirado o título do livro, como os mais perspicazes já devem ter adivinhado:
"... Os cacos da vida, colados, formam uma
estranha xícara"...
Carlos Drummond de Andrade
O livro reunia crônica e (estórias) - histórias curtas publicadas em diversos jornais e revistas do país, principalmente no jornal DIÁRIO DE NOTÍCIAS, no Suplemento Literário sob a direção do admirável jornalista, embaixador e homem de letras Alvaro Lins.
Eu enlouqueci: quando conheci o livro, ele já estava esgotado há mais de doze anos e eu só tinha uma dúvida: como? mas sabia que um dia iria falar com ele, e - o que se faz -q uando se mora em Belém do Pará e o escritor não é Mario de Andrade que até foi lá:-) (ou Manoel Bandeira), e enriqueceu a´todos', com essa viagem?
Bem, eu era professora-assistente do Professor Benedito Nunes, trabalhava diretamente com ele, mas morreria antes de perguntar qualquer coisa.
E fiz o caminho mais longo e duvidoso: procurei meus livreiros amados, o sr. Alberto Abreu, da Livraria Padrão que digam o que disserem ou quiserem, mas é O melhor livreiro do mundo -se é que entendem o que quero dizer quando digo *livreiro* - aliás não entendo quem não tem livreiro) e a minha querida Dona Maria Antônia, da Livraria Duas Cidades em São Paulo. Pedi tudo, tu-do que tivessem de e sobre Haroldo Maranhão, e que me contassem o que sabiam dele. Dele, o escritor que fique bem claro!
Claro que livreiro serve também para nos reduzir à nossa medida e isto é ótimo, e contaram coisas maravilhosas, os prêmios que ganhou, o quanto era conhecido no exterior, que foi amigo de D. Cecília Meireles, que o jornal fundado pelo avô de Haroldo Maranhão, A Folha do Norte, foi um dos primeiros em que Wilson Martins, o crítico paranaense trabalhou - ou seja Haroldo foi "patrão" de Wilson e muitos outros etc etc... Ou seja ...nada:-) que eu já não soubesse. Menos até:-)
Para minha sorte, ele estava com um livro saindo do forno, com o magnífico título "RIO de RAIVAS", pela Editora Francisco Alves. Prometido para daí a um mês.
E, bastante determinada, eufemismo para obssecada, eu não tinha mais outra coisa na cabeça a não ser ...isso mesmo HM e, então, comecei a ler tudo o que me chegou às mãos.
Vôo de Galinha, Jogos InfantisOs Anões, O Tetraneto d'el Rei, Dicionarinho Maluco com ilustrações da filha do humorista Jaguar e de poeta Olga: a Flavia Savary; A morte de Haroldo Maranhão; As peles frias;A porta Mágica, que havia acabdo de ganhar o prêmio Vértice , em Coimbra, Portugal.
Mas o meu preferido até então era JOGOS INFANTIS; variações sobre o mesmo tema, que hoje já não mais possuo. Eu já tive mais de 50 exemplares, mas era meu presente preferido... a melhor forma de divulgar H M
O primeiro resultado foi uma espécie de análise o mais crítica que é possível nesses casos, da obra completa até então, do escritor.
Publicado, com o título "Haroldo Maranhão e o silêncio da Cidade", tinha como epígrafe:
"O homem é delicado, mas o que ele diz é terrível" - a belísima frase de autoria do Rainer Maria Fassbinder, o cineasta apaixonado por literatura.
Pronto, embora eu já houvesse publicado antes, claro, mas essa era a minha primeiríssima aventura no mundo das letras. Afinal eu não sou uma criadora. Eu, como Sócrates (aiii, que pretensão, desculpem, vou retificar) ... Eu, à maneira socrática, não crio nada: apenas acho que fui dotada de olhos com a *areté* de ver o que é bom e o que é ruim e possuo razoável habilidade de dizer argumentando com certo rigor e com a maior honestidade, porque o bom é bom, e o ruim é ruim.
Saiu publicado num domingo e na terça-feira, recebi de Haroldo Marannhão, aquilo que guardo até hoje, como um dos meus mais queridos e valiosos troféus: um cartão com apenas duas frases curtas. Aliás, a primeira curtíssima.
O cartão dizia:
Cara Professora Maria Elisa: Feliz. Sinto-me como nunca compreendido. Afetuosamente Haroldo Maranhão.
heheh..curta -eis porque quero fazer o nosso concurso de narrativas curtas!.
Bem. O concurso já começou: agora no final da semana, escrevo a apresentação de Haroldo, alias pelo próprio, e o texto sobre a narrativa curta que abre, com bastante simplicidade o concurso.
Se muitos enviarem(entre meus leitores que só são seis ou sete) será um ABSOLUTO SUCESSO!
Se apenas a metade me enviar , será um relativo SUCESSO!
E, se apenas UM ÚNICO leitor me enviar, será...um SUCESSO!
Pois é apenas esse o objetivo do concurso, que me enviem quantos textos ou narrativas curtas quiserem. Na verdade, cada um pode mandar uma, ou duas ou até três. O prestígio não será para mim, será para a literatura brasileira, ou dos escritores que se dispuserem a tal, através dos blogs.
Ou seja: ganhamos todos.
Meg.
Que belissimo perfil você fez do Haroldo, genial escritor, que estou lendo aos pouquinhos. Tenho agora uma dezena de livros deles, grande parte presente seu, de maneira que estou lendo aos pouquinhos. Só tem um problema os livros dele, são mal editados, mal distribuidos e mal comentados. Quero dizer , nem resenha fazem, muito menos falam com ele. Não há registro de entrevista com ele na imprensa daqui do sul maravilha, pelo menos que eu saiba. E procuro ávidamente. Os livros dele saem por editoras que não se preocupam com o visual, com a capa, etc e tal, estas embalagens né. O que fazer. ? Não sei, mas uma hora ele vai explodir e tenho certeza aparecerão entrevistas e capas em revistas. Esperemos né.
~Finalmente saiu o tal concurso, mas uma pena achei que era uma espe´cie de teste. Estou fora por que não escrevo. Mas acompanharei com vivo interesse . Beijõão
Meg.
Você diz pra gente que o Haroldo mandou um cartão com apenas duas frases, mas não diz quais são. São intimas que não pode divulgar? Caso contrário acho que não há mal nenhum, concordas? Evidentemente que ser de foro intimo nem pensar. mas é claro que ficamos encafifados, querendo saber o que é que o Haroldo falou no cartão.
beijoão
Também quero saber, hohoho.
Lindo, Meg.
Você conta histórias como ninguém, linda. Beijos!
Gente, o cartão com 2 frases do Haroldo Maranhão está abrindo o post da Meg, abaixo da linha "O cartão dizia:"
Meg, com aquela montoeira de banners com os dizeres "Volta Meg"espalhados pelos blogs, tens a coragem de dizer que só é lida por 6 ou 7 pessoas? Que maldade! :)
Meg:
Como sabes eu havia lido muito pouco do HM. Belém do Pará não se preocupou, até hoje em editar/reeditar, esse monumento vivo das letras e eu procurava inutilmente pelos seus livros. Há que se ir ir a Portugal pra encontrar seus livros... Mas nem precisei ir: te conheci e ganhei Haroldo Maranhão de presente. O resto eu conto depois. Se coragem tiver pra narrativa curta, ao mestre da própria.
Beijos:
Regina
Simplesmente AMEI poder conhecer o seu cantinho, que é super aconchegante e uma aula de cultura e informações mil. Certamente saí daqui mais rica! Obrigada! E não conhecia o Haroldo Maranhão não, mas gostaria de me aprofundar sobre ele. O que me sugere? E adoro este poema de Caetano.... e que venham os escritores... O que seria do mundo se não fossem eles, né? Beijocas... Boa semana...
Eu simplesmente estou fascinado om tanta coisa linda, e agora ao ler Haroldo Maranhão vejo que a sabedoria, a ternura e o lirismo dos seus versos estrapolam o que de mais vi, por eese mundão de versos.
Parabéns!
Enviei 3 poemas para o concurso, boa sorte pra mim...
Sepuder me link nesse mundo de poetas que vc tem ...
Beijão!
Olha, Meg, fiquei encantado e pretendo concorrer. Se eu fosse você não desistia de enviar o tal poema de Bandeira, eu tenho as obras completas dele, se você me disser o trecho que você lembra... Vale a pena homenagearmos HM.
Gente, estou perdidao por aqui.
Perdidao e encantado.
Isso tudo e' mucho loco, o meu! (bem paulista).
Comecei pelo Iosif, que achei via google, via yahuda. Deslumbrante.
Fucei aqui e ali e cheguei aqui, Nao sem antes vibrar com a foto do Iosif e Lia na Rio Branco, passando pelo Cabelereiro. Tostoes por milhoes.
Dai entao tomei um tempo para entender o que era blogger. Nem o Webster's sabia disso. Agora ja sei, obrigado.
Nunca ouvi falar no Maranhao. Vou atras.
Vou com certeza me candidatar ao Narrativas Breves. Ja estou ligado. Vou ganhar (quero muito).
Adorei blogar.
Abcs,
Claudio Collado
Professora, estou escrevendo minha dissertação de mestrado sobrew O tetraneto del-rei, de H. Maranhão, mas encontrei puco material sobre o livro e sobre o autor. Será que pode me ajudar, fazendo uma indicação mandando algum materia seu. Qualquer coisa, pago as despesas de xerox e de correios. Fico esperando sua resposta.
oooops, tô chegando atrasado, mas tudo bem , nunca é tarde quando o assunto é Haroldo Maranhão.
Gostei de tudo o que voces escreveram sobre o Haroldo e acrescento mais algumas palavras, trata-se do mais pós-moderno e do mais criativo entre os escritores brasileiros da atualidade. Haroldo é inesgotável.
A todos os meus companheiros dessa aventura literária, gostaria de comunicar que minha dissertação de mestrado versa sobre Cabelos no coração, e atualmente venho trabalhando na ampliação dessa pesquisa na minha tese de doutorado.
Agora, Meg, fiquei muito interessado na sua análise da obra de HM. onde poderei encontrá-la?
Finalizando, estive no início do ano passado em Belém onde pude conhecer, emocionado, o arquivo do Haroldo Maranhão, mas infelizmente sua mais recente obra, Nariz curvo, já estava esgotada, alguém aí já leu?
Beijão!!