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Do livro que estou relendo, irrompe para gravar-se em minha memória como um dos mais contundentes exemplos de texto - onde o autor não tem medo de escrever. Escreve sem barganhar com o leitor. Não entrega o jogo facilmente. Lemos e totalmente submissos, rendemo-nos aos desígnios da Fiandeira:
Quem aceitar o jogo ganhará - quem sabe?- a emoção intensa do texto que a custo termina por não fletir-se, nas idas e vindas da ira. Tensa. Surda. Densa. Acumulada.
"Eu via a boca do homem na minha frente se mexendo, mas não ouvia suas palavras. Sabia que era comigo que ele falava, com toda aquela fúria, toda aquela impaciência, que fazia seu rosto ficar vermelho. Ele segurava a xícara de café que eu havia deixado dentro da pia pela manhã e com a mão livre, gesticulava. Pensei nos quatro anos de livros arrumados em estantes etiquetadas. Arrumados não por autor ou assunto, mas por ordem de altura e cor. Pensei nos quatro anos de faxina geral na casa duas vezes por semana, na obrigação de lavar a louça assim que a última visita fosse embora, mesmo que às três da manhã, na necessidade de banhos longos após o sexo, no escândalo furioso quando levei um gatinho da rua para casa. Virei as costas e fui embora. Só voltei para pegar minhas coisas uma semana depois."
tantas vezes sou acometida das idas e vindas da ira que me pego surpresa...o post ficou ecoando dentro de mim...uma necessidade imperiosa se faz: ler o livro e me render a todas as emoções.
beijo carinhoso e com muitas saudades de ti,
Render-se sim. Doce, suave e serenamente.
Que belo trecho. Vou comprar para ler.
Beijinho.
Leni.
Leni, Ana, queridas, muito obrigada, amores.
Meg-de-deus, querida, tou muito emocionada, obrigada. Vc é uma criatura maravilhosa. E generosa.
Fabia
Meg, que coisa linda, este livro é maravilhoso mesmo!! E você escolheu um trecho poderoso! A Fabia é lindaaaaaa!