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Programa Arte Sem Barreiras - Funarte- Ministério da Cultura
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No dia 29 de agosto, sexta-feira, às 20h:
Conversa Informal com Evgen Bavcar na Casa da Gávea (Praça Santos Dumont, esquina com Rua dos Oitis, tel. 2239.2511) Entrada Franca.
"Diante da pergunta reiterada: “O que é preferível, o verbo ou a imagem? O poema que descreve um belo rosto ou a imagem dessa face?”, fico sempre perplexo e hesito em responder. A imagem fotográfica não resolveu esse dilema, mas talvez ela tenha fortalecido a ilusão de uma presença que permanece, de fato, sempre irreal. Os rostos que vemos nas fotos não estão mais aí e os nus que gostaríamos de ver pertencem a corpos que já foram vestidos. Assim as imagens induzem-nos ao silêncio do espanto, à fala muda que feriu as trevas para dali fazer surgir a luz. Por trás da superfície plana – para mim sobretudo lisa – há sempre um acontecimento pretérito, um rosto, um corpo, os fragmentos visuais de outrora. Quando as imagens se dão a ver, sou freqüentemente tomado por um desejo de imersão. Tenho a ilusão, como o velho pintor chinês, de poder fugir do fogo ameaçador graças ao mar que o quadro representa. Sem dúvida, esse é apenas o sonho daquele que esteve outrora ao lado desses objetos que se acompanhavam então da aura do aqui e agora, da ilusão materializada do real.Agora, entre elas e eu, ergue-se a barreira do silêncio, o mutismo imposto aos fragmentos do visível que saíram das trevas. Por isso, a palavra do outro é tão preciosa para que eu consiga conjurar a fatalidade dessas realidades que se calaram. Graças ao trabalho incessante da memória, sei que estive no seu aqui e agora; sua presença tornou-se de súbito inacessível para mim. Ao mesmo tempo em que estão aí, fazem com que a realidade que as viu nascer, o espaço tridimensional da tomada fotográfica, desapareça para sempre. Encontro-me diante delas, como que prosternado diante de uma transcendência que, doravante, só me comunica a palavra de todos aqueles que me fazem a gentileza de narrar minhas imagens.
Ao criar as fotos, acreditei ser um profanador do real, pois me encontrava em carne e osso no mesmo lugar que meus modelos. De fato, mesmo nesse momento em que o olhar é supostamente técnico e apenas físico, sem conteúdo real, eu não podia verdadeiramente profanar esses fragmentos do visível que já começavam a escapar. Graças ao ato fotográfico que é antes de tudo um ato mental, tais imagens exilaram-se bruscamente em um alhures que a partir de agora testemunha de um irrevogável não-retorno.
Não desejo ser considerado como alguém que expõe, mas antes como alguém que se deixa expor graças a todos aqueles que, através de seu olhar, darão a essa transcendência inacessível um novo sentido. Mais minhas imagens existem para os outros, mais sua transcendência objetiva parece-me evidente. Graças a esses olhares misteriosos dos espectadores, tenho a sensação de que minhas imagens me pertencem um pouco mais.
Evgen Bavcar
Rio de Janeiro, agosto de 2003
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Opsssss! Vou lá... Como perder essa exposição?! Belas palavras.
Beijos, Meg
(aproveitando: KD o link p/ teu fotolog??!)