
Tedium vitae
"Desempregado, time caiu pra terceira divisão, artrite cada vez pior, senhorio no encalço, dor intermitente no peito, geladeira vazia, mulher com caroço esquisito no seio esquerdo, filho drogado, xi, mais essa, válvula da descarga quebrou."
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Oiagulê!
Trânsito cada vez mais estrabulega, seu padre, exe, qualquer hora largo tudo e vou viver num canto qualquer do sertão mineiro, exe, chega dessa cidade apressurada, chega de comer insosso e beber salgado, exe, esqueci de abaixar a bandeira 2, chega de... aie!, seu padre não é seu padre coisa nenhuma, embusteirice, sim, aqui está toda a féria do dia, sim senhor, exe.
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Detraquê
"Já correram rios de tinta sobre ele, muita fama, hoje, pobrezinho, enconchado aí no rol dos esquecidos, sem trelho nem trebelho, parente nenhum vem visitar o azoratado, sim, é verdade, bem observado, infeliz não tira as luvas de boxe nem para descascar a mexerica, veja... pobrezinho"
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Suspicaz
"Você anda muito desconfiante, querida, muito desconfiante, sinto isso no fundo da alma, de mais a mais é preciso dizer que não existe homem em tais condições inteiramente fiel, não existe, nem mesmo Diógenes com sua lâmpada conseguiria encontrá-lo em plena luz do dia, de modo que você precisa acabar de vez com isso, querida, do contrário, não lhe trarei outras flores no próximo finados."
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De: Grogotó, Topbooks, 2000
"Saiu a biografia de Van Gogh. Lindíssima. Gostaria, entretanto, que os editores me explicassem o motivo pelo qual o livro tem apenas uma orelha."
In: Bombons recheados de cicuta (1993)
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Linguagem esmerada, sem arrogância, sem empáfia.
Absoluta concisão, domínio de um léxico riquisimo e quase desconhecido, inventivo, criativo, original e autêntico em termos de linguagem -isto você encontra na forma. E nos seus textos, ironia, poesia e uma mensagem de dilaceramento e de estranheza da realidade.
Evandro Affonso Ferreira, ((Araxá-MG, 1945), mas já é quase paulista. Tem uma história soberba. Quem é paulista, paulista mesmo, conhece o Sebo Saranana, do Evandro(Rua Teodoro Sampaio, 1.233, em Sampa)
esse que é o grande Mestre e não só das narrativas curtas, ou mini-contos, da literatura brasileira.
Leia mais aqui..
Melhor: compre o livro, se tiver a sorte de achar.
É com constrangimento e um certo embaraço que confesso não conhecer ainda o Evandro, Meg. Dez, tua dica. Vou me inteirar sobre esse esgrimista na arte que eu particularmente sempre namorei: as narrativas curtas.
Valeu.
Beijão.
adorei a dica!
beijo querida